os nossos soluços.
Julho 17, 2008
“Em mim, tantas coisas foram destruídas, coisas que eu julgava fossem durar para sempre, e se construíram novas, dando origem a penas e alegrias novas que eu não teria podido prever então, assim como as antigas se tornaram difíceis de compreender. Também há muito tempo, meu pai deixou de poder dizer a mamãe: ‘Vai com o menino’. A possibilidade de semelhantes horas nunca mais renascerá para mim. Porém, desde algum tempo recomeço a perceber muito bem, se apuro os ouvidos, os soluços que então consegui conter na presença de meu pai, e que só rebentaram quando fiquei a sós com mamãe. Na verdade, eles nunca cessaram; e é somente porque a vida se vai agora emudecendo cada vez mais ao meu redor que os ouço de novo, como os sinos do convento que parecem tão silenciosos durante o dia por causa dos barulhos da cidade que os julgamos parados, mas que voltam a soar no silêncio da noite.”
Marcel Proust. No caminho de Swann.
Lu,
Bom reler teu blog, aqui soterrado numa lista de Favoritos entupida de baboseiras.
Saudades. Quando vens? Para o carnaval?
Vi as fotos do reveillon em Serrambi… invejei vcs todos.
Não é eventual nem aleatório postar comentário nesse texto de Proust, mas é de fato cativo esse tema e dasabotoar o peito em soluços incompreensíveis no colo da mãe. Acho que ela tem em si o costume de acalmar o choro de um bebê que não se comunica, mas chora desesperadamente. Para ela não importa o motivo. Apenas se acalme, meu filho. Vai passar esse choro, não é nada. E canta uma música, e balança a perna, e deixa amassar a roupa dela e molhar de lágrimas. Temos soluços e perdemos a respiração, e o colo da mãe nunca se negará a acolher. Né isso?
O texto é sobre nossos soluços, eu sei. E é estranho perceber que eles nos acompanham, e precisam ser depositados n`algum lugar seguro.
Um beijo. Grande!
Pipo